“Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade”. A frase do Eclesiastes traduz bem a nossa época. A vaidade é a mentira que contamos sobre nós mesmos, por isso o assunto exige sinceridade e autocrítica. Nossa agonia de achar um lugar no mundo nos diz algo que é profundamente verdadeiro: somos pó.

A manifestação mais óbvia da vaidade é a beleza. Tempos atrás as cirurgias plásticas eram feitas para corrigir defeitos congênitos. Hoje pensamos que a falta de beleza é um defeito congênito, tal como o envelhecimento.

Preferimos acusar a ditadura da beleza física em defesa da democracia da beleza interior, porque sobre esta é mais fácil mentir. Ela é invisível e esconde um vazio maior: o da alma. Mas a vaidade não tem relação apenas com a beleza, ela vai além: é uma máscara, um véu sobre o vazio. Por isso, ela aparece como algo que deve ser superado. Uma doença da qual deveríamos curar com o tempo.

Diante desse contexto, indaga o filósofo Luiz Felipe Pondé: “Mas não seria vaidade maior ainda se orgulhar de não ter vaidades”? Só o rico pode criticar a riqueza? Só o belo pode maldizer a beleza? Só o sábio pode queixar-se do conhecimento? Sim, pois caso contrário corremos o risco de parecermos ressentidos, bradando contra aquilo que não temos.

Sempre queremos sair do clichê, mas como disse Oscar Wilde, só uma pessoa superficial não julga a outra pela aparência. Diante da beleza do outro nossas imperfeições se evidenciam. A vaidade se esconde atrás da inteligência, da atitude. Seria a vaidade intelectual mais perdoável?

A vaidade física esconde as rugas, a intelectual, as inseguranças. O fato é que não existe maquiagem ou cirurgia plástica para suprir a falta de inteligência. E a sua vaidade? O que ela esconde?

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Larissa Foresto
Advogada por formação. Concurseira por opção. Por meio da escrita busca dar vazão às emoções. Algumas, muito particulares, outras, comuns a todos. Sua palavra preferida é ‘des-envolver’: deixar de se envolver com sentimentos antigos e ultrapassados para se tornar a melhor versão (inédita) de si mesmo.