Eu não deixei de pensar nele. Não deixei de pensar na maneira como ele me olhava, porque isso me fazia ir pra longe, longe de mim. Eu deixei de caminhar longe do mar, quis ficar mais perto do lugar onde ele estaria. Deixei de ter medo da montanha para evitar relembrar o jeito como ele obrigava que eu me entregasse. Eu me entreguei pra vida como quem não precisa de mais nada além disso, além dele. Eu quis viver minhas possibilidades como as tantas que ele me dava em um dia de domingo.Eu quis refletir Neruda, quando dizia que amor é feito de espelho, mas o que fazer sem o reflexo dele na janela? Eu queria gritar toda vez que ele me amava, como queria coloca-lo dentro de minhas veias para que tentasse entender como eu pulsava com a presença dele. Eu quis olhar para trás pra ter certeza do que eu quero daqui para frente. Quis evitar pensar que meus sentidos e meus caminhos nunca seriam os mesmos se ele não tivesse aparecido. Mas eu quis ir embora, e o sentido dessa história já não depende do meu sim ou do meu não, nem do meu silencio, nem da ausência dele. E já não faz sentido nenhum se é singular, ou plural. Ele ainda me habita como o meu habito de ainda sorrir por ele, para ele, dele, sem saber se nele ainda estou. Minha vida era mais viva quando eu conseguia me enxergar nos olhos dele e era tão bonita aquela cor. Ele era um planeta, uma surpresa, um desvendamento diário, um calculo perfeito do que eu queria. Um resultado e uma solução no meio dos meus soluços quietos. Eu só quis ir pra longe e agora só sou só, sol. Mas se ainda for nó, a sós, seremos nós!

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Jornalista, fotógrafa, viajante. Apaixonada por estradas, acostumada com partidas, viciada em sentir. Sempre acompanhada de uma câmera e uma xícara de café.