Quando nossos corpos descolaram, eu podia sentir o vento forte vindo da sua respiração nas minhas costas. Fechei os olhos e dormi. Era onde eu queria estar. E quando no meio da noite sentia todo o peso do seu corpo se jogando no meu na forma de um abraço, fugindo do frio, eu quase acordava. Era onde eu queria que você estivesse. Tem um lençolzinho?

Meu corpo inteiro celebrava você aqui e uma parte daquela saudade ia ficando pela rua. A gente, que tem por habito driblar as regras do relógio e do despertador, vai dormir com o sol nascido e faz charme depois pra acordar. Sabe-se la que horas são, quem se importa? A gente não. Você vai colocar despertador?

O quarto escuro engana e a nossa noite infinita e particular parece não precisar de fim.

A gente já não faz mais ideia de que horas são e você quebra o silêncio preguiçoso pra me apresentar uma música nova. E vai, assim, junto com aquela melodia mapeando toda a geografia do meu corpo. Sua mão passeia pelas minhas curvas, me arrepiando. Ainda bem que, por algumas horas, não tem mundo lá fora. Tem casa, encaixe e leveza. Você sabe a história dessa música?

Sem se dar muita conta da correria do relógio, a gente acorda ao contrário, meio sem rumo, subvertendo agora a lógica da cama. Corpos atravessados, outras direções. Desperto e te olho e fico ali tentando decorar todos os seus detalhes antes de você ir.

Abraço longo, apertado. Ruga na testa, beijo na boca. O breve que demora. O quarto que é refúgio. O encontro e o desencontro ali, cravado na costela. O tempo que é quando.

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COMENTÁRIOS




Mariana Andrade
Da jornalista que queria mudar o mundo pra Mari de hoje lá se vão alguns anos e muitos textos. Escrevo o que escondo. Mais engraçada pessoalmente.