Sempre fui uma pessoa teimosa, daquelas que sabem o que quer e que não abrem mão da sua opinião. Essa característica estava aparentemente sempre sintonizada com a minha verdade e era, de certa forma, um bônus ao meu favor. Me dava força para continuar no meu caminho focando nos meus desejos e nas minhas conquistas pessoais. E quando se é uma pessoa jovem e teimosa, você vai que vai e se arrisca sem medo do resultado disso. A sensação da liberdade de expressar aquilo que realmente se tem vontade é tão boa e prazerosa. Você aos poucos vai ficando vaidosa e se relaciona com as pessoas de uma forma segura, independente, que sabe muito bem o que está fazendo e que tem o controle de todas as áreas da sua vida. E assim vai, vibrando nessa determinação com um orgulhinho interno daquilo que se está fazendo e construindo.

Mas, em inesperados momentos da vida, essa teimosia te leva para um lugar desconhecido que você nem imaginava que existia. Você faz as mesmas coisas que fazia antes, mas elas já não te trazem aquele prazer e felicidade. As coisas não fluem tão bem como antes, você se sente desconfortável, e nesse lugar desconhecido também dá lugar para a insegurança com aquela sensação de ‘ como é que vim parar aqui mesmo?’. Na tentativa de levar sua insistência à diante, você não percebe que foi você mesma que se colocou nesse lugar de insatisfação pelo simples fato de achar que aquilo era o certo para você, que aquela relação ou aquele lugar iria te fazer feliz e completa. O universo estava ali presente, trazendo movimentações diferentes para você, enviando sinais para você mudar o caminho, olhar para o lado, respirar um pouco e, você, sempre concentrada em ir em frente para atingir aquele objetivo que mirou e que tinha que acontecer AGORA, porque só existe esse o tempo de se concretizar as coisas.

Depois de uma série de acontecimentos bizarros que te colocam à prova e vulnerável, você finalmente para tudo e começa a processar e a observar. Compreende, então, que o tempo que você passou controlando, vigiando tudo para sair impecavelmente do seu jeito, ficou às avessas e deu tudo errado. Ou melhor, deu tudo certo porque finalmente você acorda e começa a aceitar que toda essa loucura foi uma tentativa de controlar ou se apegar àquilo que já não lhe cabia ou pertencia mais. Nossa, mas como isso te abala, te irrita, te traz insegurança porque aquilo que você desejou tanto e acreditou que seria importante para você, realmente não é o que te vai te trazer paz, tranquilidade e felicidade.

Com a expectativa e controle lá no chão, ou até um pouquinho abaixo, a desconstrução de toda essa criação abriu automaticamente um novo espaço na minha vida. Sem o controle da situação, as pessoas te surpreendem, o inusitado acontece, a natureza se transforma e você começa lentamente a ver coisas que até então você não se permitia enxergar. Aquela ansiedade que estava pulsando no seu coração para chegar naquele lugar, conquistar aquele status ou atingir aquele objetivo não era para vir naquele momento ou daquela forma imaginada. Simplesmente eu não soube correr e fluir como a água tão naturalmente faz, minha teimosia falou mais alto do que meu coração, em alguns momentos até gritou.

Quando ela se calou, alguns questionamentos começaram a surgir: ‘O que é que verdadeiramente faz meu coração pulsar? Por detrás de toda aquela teimosia, aquele controle sobre as coisas, aquela rigidez sobre mim mesma?’. Olhando para a imagem daquela desconhecida no espelho, entendi.

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Ju Vasconcelos
Amante da natureza, arquiteta e terapeuta holística. Tem uma alma que viaja nas escalas do universo, sempre mergulhada no mar das emoções e enraizada no caminho do autoconhecimento.