Ahimsa.
 
Essa tatuagem no meu punho esquerdo, que – com o braço esticado – dá direto no coração significa muito pra mim. Deveria significar para mais gente também, mas por enquanto é para mim. Se não sabe o que é, explico com amor: a-himsa, o primeiro ensinamento de Gandhi, em sua etimologia significa não (a) violência (himsa), o famoso conceito de não violência lançado e praticado pelo líder religioso e tão presente no budismo e hinduísmo.
 
Se engana aquele que pensa que quem acredita nisso é passivo e que significa, simplesmente, o “não matar”. Não deixa de ser verdade, mas, mais que isso, praticar o ahimsa configura-se ter autocontrole e equilíbrio interno não somente nas atitudes, como também nos pensamentos. Vendo tanta gente formadora de opinião com as redes sociais sendo palco de muitas ideias tortas, a empatia falta – mas o ahimsa mais ainda.
 
O primeiro passo é: coloque-se no lugar do outro, sinta, pense como ele: por que fez isso? Por que permitiu isso? Ele, de fato, permitiu algo? Ele, de fato, quis isso? Por que julgo? Quem sou eu?
 
Pois bem: eu sou tão mínima perto do universo. Por que, cargas d’água, eu estaria, então, tão certa? O certo e o errado variam (e muito), os limites dos outros também. Se tenho a liberdade de fazer algo por mim, isso é magnífico. Mas se tenho o discernimento de reconhecer o limite do outro, então isso é ainda mais incrível. Não machucando o outro, também não me machuco; não difamando o outro, durmo tranquila à noite; não plantando o ódio, não colherei um coração triste. A prática da empatia e do ahimsa, no fim das contas, é uma rede de bem: faço bem para o outro e, consequentemente, faço o bem para mim e para aqueles que estão à minha volta.
 
Parece difícil e, até certo ponto, é mesmo. Mas o que seria o ser humano sem o constante aprender, sem as inúmeras experiências com seus erros e acertos? O ahimsa ensina: o conceito é ativo quando praticamos, no dia a dia, a não falar mal do outro, a não alimentar raivas, a não criar inimizades, a perdoar sempre. Se é difícil, comece por separar o lixo corretamente, escutar seu avô contando histórias do passado, não compartilhando ideias preconceituosas, procurando saber o que as coisas são antes de passar para frente, procurando entender os porquês dos outros. 
 
“Os outros são tantos e eu, apenas um” – eu hei de aprender com tanta gente.
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Marina Bufon Nunes
Marina é linguista e bailarina, dança nas palavras e escreve seus passos. Gosta de linhas tortas, sentimentos verdadeiros (e expressados) e bichinhos (vivos). Do interior de São Paulo, o sotaque permanece nos erres e a voz canta alto nos estádios de futebol, esporte que ama desde a época dos dentes de leite.