Vira e mexe um conflito de atitude diante do mundo me vem à tona. As coisas acontecem simplesmente porque tem de acontecer, aquela conversa do “estava escrito”, ou as coisas acontecem na exata medida da energia que damos para que essa tal coisa aconteça?  Cresci ouvindo que tudo pode ser, só basta acreditar. É só acreditar mesmo?
Li certa vez numa reportagem uma frase de um escritor alemão chamado Eckhart Tolle que dizia o seguinte: “Ao nos alinharmos com o todo, nos tornamos uma parte consciente da sua interconexão no mundo e do seu propósito: o surgimento da consciência no mundo. Aí, incidentes favoráveis, encontros casuais, coincidências e acontecimentos sincrônicos ocorrem com muito mais frequência.” Ou seja, aquilo que convencionamos chamar de coincidência é na verdade fruto da nossa conexão consciente com o tempo presente. Nesse conflito, fico com a visão do alemão. A gente faz acontecer. Posto isso, o desafio então passa a ser a intensidade desse fazer acontecer principalmente quando o assunto são os relacionamentos. Pra mim, é aí que a coisa pega.
Já fui intensa e batalhei muito por aquilo e quebrei a cara, já fui fria no estilo se tiver que ser, será e deu no mesmo resultado. Já fui moderada e fui cobrada por não ter falado nada e não ter exposto meus sentimentos. Qual a média exata das coisas? Depois de tantas decepções minha tendência passou a ser sempre a de me preservar. Isso até outro dia.
Já vivi amor à primeira vista, amigo que virou amor, amor que foi sendo construído com o tempo, mas uma relação assim com data marcada para acabar, era minha primeira vez.
A gente tinha 15 dias pra viver e celebrar aquele encontro. Ele ia embora do país e não teríamos outra chance. Sabe a moderada que optou por se preservar o tempo todo? Aqui ela simplesmente não cabia. Não tinha tempo pra medir as palavras, pra não responder as mensagens, pra tentar imaginar o que será ele vai pensar de mim. Era um tal de vamos? Vamos! Agora? Agora! Segunda, terça, quarta. Direto do aeroporto, cheia de mala e sem maquiagem. Mas, principalmente, sem expectativas. E como não ter expectativas é libertador. Vivi aquela experiência plenamente sem parar pra pensar em como seria se ele não tivesse que ir embora. No final, isso já não importava mais.
Mas a verdade é que ele tinha que ir. O dia da despedida chegou e não foi triste. Pelo contrário. Soube aproveitar muito esse lindo encontro. E como foi bom! Deixa, às vezes, até um gostinho de que foi na hora errada, mas na real, isso de hora certa ou errada nem existe. As coisas acontecem exatamente quando tem que acontecer, cabe a gente estar disposto, atento e conectado pra elas aconteçam. É disso que falava o Eckhart.
Aprendi muito sobre mim nessa relação. Aprendi a ser feliz dessa forma, que a gente faz acontecer e perder tempo imaginado a vida num tempo diferente do atual não vale a pena. Aprendi a confiar nos meus instintos e não calcular mais cada gesto. Tudo era leve e espontâneo. E direto, e honesto. Como todas as relações deveriam ser. Eu fiz minha felicidade acontecer e isso foi transformador.  Hoje tudo é uma lembrança gostosa temperada por algumas mensagens com notícias de lá do outro lado do mundo.
A história acabou e não teve projeções de uma futura relação – em exatos 15 dias tudo ia acabar mesmo. Não teve aquela precaução de sempre com base nos relacionamentos do passado – não tinha tempo pra ter medo de nada. Estava presa no único momento em que a vida realmente acontece: o presente. Aprendi o que no fundo eu sempre soube: Os dispostos se atraem, a gente precisa estar atenta.
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Mariana Andrade
Da jornalista que queria mudar o mundo pra Mari de hoje lá se vão alguns anos e muitos textos. Escrevo o que escondo. Mais engraçada pessoalmente.