Toda vez que eu olho essa foto eu penso no quão sortuda eu sou por ter conhecido as mulheres que eu mais admiro no mundo aos 7 anos de idade. E olhando para essa foto eu me orgulho muito, porque a gente se transformou naquilo que queríamos ser. Mesmo não tendo atingido todos os objetivos ainda, nós somos, integralmente, as pessoas que batalhamos para ser. E conseguimos isso juntas. Passamos por todas as fases da vida do lado uma da outra, conhecemos o final e o início de cada uma.

A gente viveu a história uma do outra. Minha infância foi na casa de vocês e a nossas famílias eram quatro. O problema de uma era das outras também. As nossas mães eram mães de todas. Todas nos educaram juntas.  E não tem como desmentir que nossas personalidades foram construídas e moldadas juntas. E o que eu acho mais louco é que somos quatro pessoas complemente diferentes. Sempre fomos. Mesmo vivendo grudadas, cada uma sempre teve sua opinião, sua visão de mundo, seu jeitinho independente.  E cada uma respeitava esse espaço da outra. Nossa amizade sempre teve a troca como base.

Eu lembro da gente com uns 14 anos andando pelas ruas do Rio e as pessoas paravam e falavam que era incrível ver um grupo de amigas com estilos diferentes. E a gente amava e se orgulhava disso. A gente é um conjunto de ideias e quem nos conhece sabe o quanto de cada uma tem na outra. Pode ser o jeito de falar, de gesticular, de reclamar. Eu carrego vocês o dia inteiro comigo nas coisas que eu faço, nas coisas que eu penso e falo. Quando me perguntam sobre vocês, eu falo como se estivesse falando de mim.

Se me dessem um milhão de reais, hoje, para investir em alguém, eu investiria em vocês, porque sei que tudo que vocês colocam a mão na massa vira diamante. E como é incrível saber, do fundo do coração, que eu sou a melhor amiga das pessoas mais íntegras e fodas, inteligentes e sagazes que eu já conheci.

A gente morria de medo de se separar e agora cada uma está em um canto do mundo, correndo atrás do que acredita. As pessoas nos acham corajosas por cada uma ter saído da sua cidade, por tentar criar do zero, por tentar mudar o mundo. Mas elas não sabem que a gente só tem essa coragem toda porque temos uma a outra. A gente se deve essa, a gente se prometeu isso. Mesmo percorrendo caminhos tão diferentes e independentes, mesmo que nossa amizade seja só um dos aspectos da vida, é ela que dá sentido para todo o resto.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




COMENTÁRIOS




Marcela Picanço
Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"