O Brasil é conhecido como um dos países mais liberais do mundo, onde as mulheres andam sempre muito à vontade com suas pernas e peitos de fora. Seria excelente se fossemos um povo tão bem resolvido assim. Mas não. A verdade é que passamos essa imagem, mas nenhuma mulher sai à rua mostrando o corpo sem ser julgada.

Sinceramente, eu gostaria de entender qual é o problema em mostrar o corpo humano. Não era mais para existir essa ideia de que gente pelada é coisa feia. Principalmente no Brasil, em que no carnaval temos uma mulher linda sambando na TV e usando só tinta para se cobrir. Não acho que isso seja uma forma de vulgarizar a mulher, mas sim de mostrar como tratamos a nudez de forma natural. O justo é tratar gente pelada como uma coisa normal e não como algo ofensivo. Seria muito bonito se fosse verdade e se pudéssemos sair cobertas apenas de tinta em épocas fora do carnaval, mas se usamos uma saia um pouco mais curta, todos os olhares preconceituosos caem sobre nós. Essa é a questão de usarem mulheres peladas na mídia. É lindo na TV, mas na rua é vulgar. Não queremos que a Globeleza pare de dançar pelada, nós só queremos dançar peladas como ela sem sermos taxadas de vadias.

As mulheres têm a liberdade de se vestir como quiserem, mas não existe nada mais recriminatório quanto uma palavra ofensiva. A nudez nem sempre precisa representar algo sexual. Muitas vezes ela é uma forma de se expressar, como a arte. Outras vezes ela não quer dizer nada. As coisas nem sempre precisam ter uma explicação. Não acredito que no “país liberal”, em 2012, ainda temos esse tipo de discussão sobre a nudez ou mulheres que se vestem com “certos tipos de roupas”.

Em outros países já vi várias vezes pessoas andando de biquíni, fazendo top less, peladas e aproveitando o sol sem serem julgadas. Porque as pessoas deveriam andar como elas querem e o corpo é uma parte de nós. Fazer o que? O que é bonito é pra ser visto. Mas infelizmente aqui, no país tropical, onde temos as pessoas das cores mais variadas e bonitas do mundo, vivemos uma cultura em que as pessoas dizem que no inverno “ficamos mais elegantes”. Pra mim, a nossa elegância está na nossa pele. E não existe nada mais bonito do que assumir o corpo que tem e exibi-lo por aí sem ter vergonha dos olhares antiquados, carregados de preconceito.

Sinceramente, espero que a gente cresça mentalmente e não continue discutindo sobre assuntos que deveriam ter sido resolvidos no século passado, ou no mínimo na época da revolução sexual. Espero ainda viver em um país que seja menos machista e repreendedor.

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Marcela Picanço
Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"