Então eu namorei você mesmo não sendo namorada de volta. Namoro sustentado em caronas, visitas em suas páginas e algumas paqueras baratas. Eu queria precisar de você porque eu te escolhi. Senti que finalmente havia encontrado aquela pessoa com características essenciais, aquela pessoa que eu gostaria de dividir as coisas boas que a vida tem para oferecer. Mas tão próximo e tão distante no mesmo instante?

De mundos distintos, me peguei pensando se suportaria viver no seu mundo, se aguentaria viver pacificamente nele. Será que eu me adaptaria ao seu mundo? Ao mesmo tempo, me perguntava se você aguentaria o meu, se se divertiria no meu. Entre essas dúvidas, cheguei na certeza de que não. Afinal, pertencemos a realidades diferentes. No começo demorei a aceitar, mas quando lembrei de toda a diferença de mundos e de todos os projetos que eu teria que abrir mão… Aceitar que homem da sua vida não é para sua vida, no início machuca, mas depois quando se percebe que ambos sofreriam no mundo do outro, vem a aceitação, a calmaria e a gratidão.

Então, homem da minha vida que não é para vida, que o destino seja doce contigo, como ele sempre foi, que você saiba reconhecer todos os privilégios que sempre teve. E que seja para sempre essa mistura de menino, homem com toda sua ternura e maneira de prestar atenção nas pessoas. Planejar o futuro que não aterroriza mais, assim a vida segue e você estará para sempre marcado com carinho e pesar como o homem da minha vida que não é da minha vida.

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Kellen Barreto
Samba, livros, jornalismo, amigos... tantas coisas me fascinam. Mas meu maior fascínio da vida é a utópica liberdade. Liberdade de escolher a própria prisão. Sou apaixonada pelo faço da vida e corajosa para enfrentar o que a vida faz comigo.