Quando eu fui escovar os dentes hoje, às 8h da manhã, descobri que a pasta de dente estava no final. Não daquele jeito que precisamos espremer até a alma do tubinho, enrolando desde a parte de baixo até a de cima pra sair um pouquinho da pasta que restou. Ainda tinha o suficiente para apertar no meio e sair. Nesse mesmo instante, surgiu uma indagação: por que as coisas acabam?

Tudo acaba. E podemos lidar com isso de diversas formas na vida. Com a pasta de dente é fácil. Posso descer, ir até a farmácia mais próxima, gastar uns 5 reais e voltar para casa com uma pasta nova. Requer um esforço, pode dar preguiça, mas não pensamos nisso, porque emocionalmente não nos abala ter que ir comprar uma pasta de dente nova. Ou pode abalar. De repente você se vê no meio de uma questão filosófica sobre o fim das coisas às 8h da véspera de natal.

O pior que é as coisas que acabam geralmente não nos dão um aviso. Eu não penso que a pasta de dente vai acabar até que ela esteja acabando e aí já é tarde demais. Essa sensação de nos sentirmos impotentes pelas coisas que acabam é o que nos impede de lidar com isso de uma forma mais branda. A gente não espera que as coisas acabem, mesmo sabendo que tudo é cíclico, nasce, morre, se transforma, se desconstrói, vive.

Mas por quê? Por que as coisas não podem durar para sempre? Porque precisamos lidar com o ir e vir de tudo ao nosso redor, sem que sequer tenhamos uma chance de nos despedir antes que elas estejam chegando ao fim? Porque criamos uma dimensão em que o tempo é linear com passado, presente e futuro, de forma que a gente nunca consiga entender o presente, porque ele já é sempre passado. Antes de você terminar de ler essa frase, já virou passado. Viu? Passou.

Tudo acaba porque o tempo passa e tudo é vivo, tudo se deteriora, se desgasta, muda, morre. Talvez não da forma literal, mas em significado. Por isso é inútil se incomodar com o fim das coisas. É se lamentar por algo que é inevitável e não há nada que você possa fazer sobre isso. Em vez de tentar controlar o fim das coisas, só nos resta aceitar e fazer algo novo a partir disso. Todo final é também um recomeço. E se pensarmos dessa forma, as coisas param de acabar e simplesmente começam a renascer.

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Marcela Picanço
Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"