Eu tenho vontade de te vomitar inteiro porque você pesa no meu estomago. O amor pesa aqui dentro e é um misto de cansaço com descanso que não param nunca.  Ao mesmo tempo, eu tenho vontade de te deixar dentro de mim pela eternidade porque é a única forma de estancar essa luz que sai de dentro do meu peito e parece que se espalha pelo mundo inteiro, me cegando. De repente eu não enxergo mais nada além de um palmo na minha frente e eu sinto uma vontade imensa de ver o mundo sozinha de novo. Mas ao mesmo tempo essa luz que me cega, me aquece e me traz segurança. E enquanto você estiver aqui cuidando de mim, eu me sinto imortal. Eu nunca tive tanto medo de deixar de ser eu. Tenho medo de aos poucos me transformar em você. E eu tento me lembrar do quanto eu era feliz comigo antes de você chegar, porque eu tenho medo de que se você for embora eu me esqueça de que isso é possível. Porque você é diferente de todo mundo que eu já conheci e quero que você fique aqui comigo, sem falar nada. Só tentando fazer com que os nossos corpos se transformem em um só. E eu sinto medo de novo. Medo de me condensar nessa ilusão na qual eu mergulhei sem levar boias. Tenho medo que você se afogue e eu não consiga me salvar. Eu que sempre soube nadar sozinha e quase atravessei o atlântico, agora estou perdendo o folego, porque você está comigo e carregar o peso do amor me arrasta. Eu sei que você está me segurando, mas ao mesmo tempo tenho muito medo de afundar. Mas o pior é que eu tenho muito mais medo de deixar você afundar. Porque você é mais frágil do que eu e no meio dessa confusão, às vezes eu me perco um pouco e dou a louca. Do nada eu posso achar que eu sou uma garça e começo a voar pelo mundo sozinha de novo.

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Marcela Picanço
Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"