Desde muito nova eu já tinha problemas, seja na escola ou na família. Na verdade, desde que me entendo por gente. Conforme fui crescendo, não só os problemas continuaram, mas aumentaram e eu tive que lidar com eles em algum momento.
Mas sabe o que eu realmente fiz?
Coloquei todos eles dentro de uma gaveta, apaguei a luz e me escondi, enquanto alimentava a dor e a raiva pelo que acontecia. Eu não conseguia e não sabia lidar com nada. Minha reação era fugir e guardar mágoas.

Eu segurava forte as lágrimas, sabe?
Trancava os dentes, porque eu não me permitia chorar por alguém que havia me magoado. Na minha concepção, essa pessoa não merecia minhas lágrimas.
Eu escrevia em cadernos – que tenho até hoje e que guardam minha história de dor – rabiscava meus desapontamentos, minha raiva e, às vezes, deixava escapar uma ou outra lágrima, forçando-a a parar. Passei a desabafar no twittter, conforme o tempo passou e a tecnologia cresceu – e encontrei pessoas semelhantes a mim – e, por fim, passei a me esconder nas séries e livros mais do que nunca.
Isso tudo acontecia enquanto eu crescia.
Na verdade, até o ano passado.

E sabe o que aconteceu comigo por causa desse meu jeitinho de não lidar com os meus problemas?
Parece que tudo começou a vazar para todos os lados.
Tudo o que estava guardado nas gavetas e escrito nos papeis, começou a sair por aí e a se atirar bem na minha cara, atravessando meu coração e saindo, aos litros, pelos meus olhos.
Todos os dias.
Durante meses.
Eu me tornei um mar de confusões, medos e tristezas acumuladas.

Eu passei meses deitada na cama, no meu quarto, inerte.

Hoje, qualquer coisa mínima que acontece, desencadeia em mim memórias de traumas que eu não tratei, de problemas que não enfrentei e eu passo a problematizar mais, chorar, sentir as sensações que não senti na época que as coisas aconteceram pela primeira vez, só que de uma maneira muito mais forte, como se fosse o dobro da dor. Sem contar nos problemas de ansiedade, os dias de lágrimas deitada na cama, a falta de apetite e na adulta cheia de medos que me tornei.

Se eu aprendi algo com essa confusão toda que eu criei pra mim é que você DEVE começar a por pra fora, a desabafar, a gritar essa dor aí que você tem sentido, falar dos seus problemas mesmo, chorar sozinho ou no ombro de alguém, não importa.
Você apenas precisa tirar isso tudo do seu sistema.

Precisa, também, procurar ajuda profissional – como psicólogo e/ou psiquiatra.
Sem orgulho.
Sem medo de julgamentos.
Isso vai te ajudar a lidar e entender a sua dor.

É isso que eu faço hoje e que vem amenizando os problemas.
Além de realmente enfrentá-los, mesmo com medo.
É aquele ditado se der medo, vai com medo mesmo!

Lembre-se que você tem amigos, você não está só, e você possui ajuda profissionalizada pra isso!
Não se deixe chegar onde eu cheguei,
Cuide da sua saúde mental, como eu não cuidei da minha, desde o início.
Não deixe que os problemas estraguem a melhor fase da sua vida!

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Grazielle Vieira
Uma mineira morando no Rio, tentando por em ordem a desordem da vida com palavras. , é advogada, mas se encontra na escrita, nas músicas da Taylor Swift e, não importa o que aconteça, Friends sempre a faz se sentir melhor. Já escreveu com nomes como Isabela Freitas e Jey Leonardo. Leia mais no meu blog Grazielle Vieira.