Como pessoa que ficou para trás, sempre soube a importância de viver o luto.
Seja o luto do fim da vida de alguém ou o fim de um relacionamento,
Em que alguém que escolhe partir,
Seguir caminho sem o nós.

Em uma conversa com a minha psicóloga, ela me perguntou como eu lido com tantas perdas.
As mortes que assolaram a minha família, a figura que um dia esteve presente para mim, mas que se tornou alguém diferente, os amigos que seguiram caminhos diferentes, o ex-namorado que teve a vida ceifada, assim como tantas outras sementes que ficaram para trás, diferente do meu caminho: em frente.

A resposta foi bem simples: eu chorei, eu vivi o luto.
Chorei por quase um ano, todos os dias, por volta das 18h, por uma perda específica.
Virei noites acordada, indo para o colégio com sono, revivendo cada detalhe de uma madrugada em especial.
Me permiti não achar graça das coisas, não ir à festas, não estar na mesma vibe que a galera.

Eu deixei que a vida me proporcionasse – e não lutei contra – a dor.
Sentir dor é horrível e eu sei disso,
Principalmente aquelas que dilaceram nossa alma, saem rasgando o coração e não há rivotril ou oração que melhore.

Com isso em pauta, a mesma psicóloga me indagou:
– E como você fez para sair de todos – e cada um – esses lutos?
– Aaaaah  Dra., foi o tempo!

Foi aceitar que tudo aquilo ia doer por tempo indeterminado e permitir que doesse, que sangrasse, que o machucado quase cicatrizado fosse cutucado por outra dor ou medo, mas que, em algum momento, aquilo ia ter que parar. E parou, sabe? Algumas lesões eu nem me lembro mais como cicatrizaram. Há ferimentos que nem me lembro que existiram, se alguém não trouxer o assunto à voga.

Muitas coisas me aconteceram,
Muitas pessoas entraram e saíram,
Uma parte delas não se foi até que levasse um pedaço de mim consigo,
Mas eu sobrevivi e, na maior parte do tempo, eu vivo.
Apesar de tudo, com tudo.

Não tem essa de ir pra balada, encher a cara, postar foto e fingir que se está ótimo, porque isso não cola mais. Não é uma disputa para ver quem sofre menos. É a vida nos mostrando que, acima de tudo, precisamos respeitar e viver cada pedacinho de sentimento e momento que temos. É enxergar a beleza na dor. É descobrir um sorriso genuíno, após meses de tristeza, e os olhos se encherem de lágrimas de alívio por aquela dor não existir mais tão latente.

O lado bom e o ruim da vida, é justamente ter os dois lados,
É passar por um, para valorizar o outro,
É conseguir viver em equilíbrio no desequilíbrio da vida.

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Grazielle Vieira
Uma mineira morando no Rio, tentando por em ordem a desordem da vida com palavras. , é advogada, mas se encontra na escrita, nas músicas da Taylor Swift e, não importa o que aconteça, Friends sempre a faz se sentir melhor. Já escreveu com nomes como Isabela Freitas e Jey Leonardo. Leia mais no meu blog Grazielle Vieira.