Foi o vento. O vento do meu suspiro forte que te levou pra longe de mim, nessa história que só vi o começo e o meio, o fim está aqui agora, com esse bilhete ao lado da cama.

Foi meu suspiro forte ao final de cada frase sua, como sintoma de reprovação, que apagou cada chama nossa, na cama, na cozinha, no telefone, na vida. Foi cada levantar de sobrancelhas, cada estalar de dedos, cada abismo na cama que nos separou, de fato.

Foi cada pedaço de corpo meu que você não tocou, cada beijo na testa que foi deixado de dar, cada notícia nova que não comemoramos, cada problema que não sentamos e resolvemos juntos. Foi cada leve degrau que deixamos para trás até virar escada, foi cada floco que se tornou bola de neve, foi cada música que ficou sem dança. Foi cada dia sem ter um sorriso. Foi cada dia sem ter amor.

Não lhe culpo, mas também não fui somente eu. Fomos nós, que como queríamos começar, agora terminamos. Fomos nós, os eternos namorados, que apagaram o amor como cigarro em parede – a mesma parede que desenhamos nossas iniciais. Fomos nós, fomos nós os motivos. E somos nós os que, agora, passam na rua e se desconhecem como há tempos, ao lado da cama, já não se reconheciam mais.

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Marina Bufon Nunes
Marina é linguista e bailarina, dança nas palavras e escreve seus passos. Gosta de linhas tortas, sentimentos verdadeiros (e expressados) e bichinhos (vivos). Do interior de São Paulo, o sotaque permanece nos erres e a voz canta alto nos estádios de futebol, esporte que ama desde a época dos dentes de leite.