Apagar seu número da lista de contatos foi difícil.
Não mais do que a decisão de apagar você.

Decidir dói.
Quando tomamos uma decisão, pesamos prós e contras e quando a decisão da
nossa mente se choca com o capricho do coração, é porque os contras já estão
gritantes.

Estão berrando em alto e bom som que aquilo que estamos vivendo, nos faz mal.
Se ele não te procura, não é porque o telefone quebrou.
Não é porque ele está tão sem tempo, que não pode nem responder com um
“olá!”.
É simplesmente porque ele não se interessa mais, mas não tem coragem de
colocar um ponto final.

Você não se acha corajoso o suficiente também?
Mas você é.
Pense em si mesmo, pense nas oportunidades que você está perdendo por estar
preso a uma história que já não vai a lugar algum, que não consegue alcançar a
janela para ver a luz do dia.

Algumas vezes é preciso que sejamos egoístas.
Nossa felicidade e nosso amor-próprio pedem disso.
Dependem apenas de nós.

Ontem a noite eu percebi.
Percebi que estava andando por nós dois, enquanto você ficava sentado na
poltrona, com os pés esticados, acomodado demais para sair do lugar.
Eu percebi que não éramos capazes de nos fazer feliz um ao outro, que minha
antiga alegria de viver já estava jogada no chão, abaixo dos seus pés naquela
droga de assento velho e quebrado.

Quando eu percebi que eu já estava sozinha, mesmo com você ao meu lado, há
tempos, eu chorei.
Chorei pelo que fomos, pelo que tivemos, mas que há muito perdemos.
Chorei ao relembrar as nossas conversas.

As palavras iam e voltavam com uma enorme facilidade.
E entusiasmo.
No início, sem promessas ditas, mas todas cumpridas.
Doeu reconhecer que não sabemos mais conversar, apesar de nos termos por
amor um do outro.
Doeu ver que você teve que prometer, mas que as promessas, apesar de ditas,
foram todas esquecidas.

Uma hora o choro cessou.
Recolhi minhas coisas, apaguei os números do celular e saí.
Fui de encontro a mim mesma.

Uma eu que se perdeu nas noites em que era sua.
Uma eu cheia de dúvidas, mas disposta a encontrar as respostas.

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Grazielle Vieira
Uma mineira morando no Rio, tentando por em ordem a desordem da vida com palavras. , é advogada, mas se encontra na escrita, nas músicas da Taylor Swift e, não importa o que aconteça, Friends sempre a faz se sentir melhor. Já escreveu com nomes como Isabela Freitas e Jey Leonardo. Leia mais no meu blog Grazielle Vieira.