Aquela tensão quase elétrica. Mãos distanciadas apenas por alguns centímetros, que parecem ter o tamanho de um abismo.

Pra que essa timidez toda?

Você está sempre ai com essa cara de que está perdido, me procurando no meio de todas as pessoas que estão a sua volta. Entre tantas pessoas iguais, você fica buscando alguém diferente. E eu?Tento aparecer no meio da multidão esperando você me notar.

Os rostos passam por mim e quando não é o seu o dia perde um pouco da graça, as cores ficam menos saturadas e o coração desacelera..

Estamos parados no mesmo lugar. Olhares são trocados e sorrisos jogados acidentalmente ao chão. Sorrisos tímidos demais para serem mostrados ao outro. Sorrisos estes que ainda não tem coragem de assumir o que sentem pelo destinatário dessa tensão voluntária dos músculos em nossa face. Sorrisos que, de tanto focarem no chão, chegam a ter gosto de cimento. E consolidam, de igual, a maciça timidez de nossos sentimentos.

É muita vontade de encostar no outro pra pouca coragem de demonstrar.

As mãos se encostam. O braço se arrepia. Nos chocamos, em choque – resultado inevitável da fatídica amperagem entre nós. Mãos que se encontravam tão perto uma da outra saem rapidamente. Batem retirada e se consternam. Sonham em estar entrelaçadas, mas não param de se dispersar.

Inconscientemente estamos próximos, se esbarrando por ai. Escutando as mesmas músicas, assistindo os mesmos filmes, pensando sobre os mesmos assuntos da vida. Você espera eu ir falar contigo, eu espero você vir atrás de mim e ficamos cada um preso nessa inércia incoerente.

A vida passa tão rápido e nós tão apavorados…

Eu tenho medo. Você também. Vamos ter medo juntos, passar por cima dos arrepios constantes, das borboletas que se rebelam no estômago, acabar com essa guerra civil entre o coração e o cérebro.

Que tal tirar esse olhar direcionado ao chão e olhar para frente? Fazer os sorrisos tímidos virarem abraços. As horas perdidas, contadas esperando resposta em uma conversa de verdade…

Vamos falar sobre os nossos medos? Inclusive o de assumir que temos medos?

Eu quero te contar sobre como fico ansiosa quando planejo uma viagem. Sobre como me dá um frio na barriga ao comprar a passagem de avião porque sempre fico tensa achando que vai dar tudo errado. Mas quando embarco vôo longe. Vou longe. Me sinto a pessoa mais completa do mundo. Vem me conhecer?
Você quer me falar sobre aquela briga que você teve com o seu pai e como você o ama, mas não sabe direito como conviver como antes. Sobre como você luta para virar o homem que ele tanto sonha, mas que você não sabe se é o que você quer. Você quer desabafar sobre isso e me ver te olhando, te dando apoio porque eu sei que você vai ser um homem bom e que vai dar tudo certo.

Vamos nos conhecer melhor?

Eu quero saber das suas pequenas manias. Como quando você está com vergonha esconde suas mãos no bolso da sua calça. Quando fica com o ombro tenso, mas espera que ninguém repare nisso.

Que você está sempre pensando em alguma música para encaixar na situação atual, como se a sua vida tivesse trilha sonora. Que quando você chega em casa depois de um dia estressante no trabalho você fica uns 15 minutos dentro do carro escutando música, antes de ter coragem de sair e voltar ao seu lar. Que você aprendeu a tocar gaita sozinho e sempre a pega para tocar quando está entendiado.

Se aproxima?

Vem aprender que eu choro por qualquer coisa, porque sinto tudo intensamente demais. Se alguém estiver feliz eu vou irradiar de alegria e se alguém estiver triste eu estarei também. Vem ver que eu odeio ser assim, mas ache a minha empatia linda. Se irrite um pouco com ela também. Por eu ter a mania de colocar a felicidade dos outros acima da minha, enquanto tudo o que você mais quer é que eu seja feliz também. Você sabia?

Descubra que sempre que eu estou nervosa eu mexo a minha perna sem parar e não consigo focar o meu olhar em nada. Que quando eu sou rude, na grande maioria das vezes é vergonha.

A vida é tão curta. Vamos perder esse medo?

Quero te conhecer todos os dias. E conhecer lugares para chamarmos de nosso. Criar o nosso universo e se perder nele.

Me diga quando você finalmente vai me deixar entrar em seu mundo, porque eu já cansei de esperar sozinha no meu. Eu estou ficando velha, você também.

E talvez nem vamos ficar juntos no final. Há a possibilidade da perda de tempo. E aí acharemos graça em quebrar relógios, como nos foi quebrado o coração.

Mas por agora vamos tentar trazer paz para as nossas mãos não viverem mais tão frustadas, somente sonhando em encostar uma na outra, separadas pelos atos tiranos do nosso coração amendrontado.

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Giovanna Ghersel
Giovanna Ghersel tem 23 anos, é estudante de direito e comunicação. Viciada em séries, viagens e desventuras amorosas. Considera ler e escrever terapêutico além de claro: desabafos em mesas de bar, cantar evidências no karaokê ou fazer uma maratona de netflix e pipoca. Atualmente está tentando escrever um livro e descobrir o que fazer da vida. Enquanto isso vai recolhendo experiências e usando-as de inspiração para os textos, afinal não existe nada mais extraordinário do que a vida.