Ontem foi aniversário de um amiga minha. Na verdade, de uma amiga de uma amiga que conheço faz tempo mas de quem só me aproximei numa festa de carnaval neste ano. A minha amiga já tinha me falado algumas vezes “você vai amar a Nanda, ela é a sua cara”. Eu e a Nanda, minha xará, nos identificamos imediatamente. Bastou uma festa e um almoço no dia seguinte pra gente conversar por horas e horas. Essas horas mais pareceram anos e anos. – “Que sensação boa de descobrir e encontrar uma pessoa nova no mundo”.

Aí que mora o lado curioso dessa história: sabem quantas vezes eu vi a Nanda em 2018? Apenas uma. Mas bastou um grupo de Whatsapp para nos aproximar, mesmo que de longe (na verdade, apenas dois bairros de distância, moramos na mesma cidade). Volta e meia a gente se pergunta o que uma vai fazer, como anda a vida, quais são os planos do próximo feriado ou do revéillon… e é isso. Temos a nossa conexão mesmo de longe e ela me falou uma coisa que não saiu da minha cabeça antes de dormir (quando falamos da distância em amizades): “precisamos aceitar as pessoas como elas são, mesmo que insatisfeitas e sem entender.”

Outro dia eu fiquei muito triste ao constatar uma distância enorme que se criou entre mim e outras duas amigas, que sempre foram bem próximas, quase da família. As procurei por diversas vezes e de incontáveis formas. Liguei, mandei mensagens e perguntei se eu tinha feito alguma coisa para elas terem se afastado. Recebi algumas respostas dias e semanas depois das inúmeras tentativas de contato – quase todas ligadas à grande correria da vida, do trabalho, do dia a dia e da enxurrada de mensagens que todas nós recebemos diariamente por diversos meios de comunicação. Encontrei uma delas nesse final de semana e foi muito doído quando eu percebi ali que assim como namoros, amizades também terminam. E simplesmente acontece.

Foi aí que eu pensei que a distância é muito relativa e vai além da geografia. Ela pode ser sentimental e passar por muitos caminhos, inclusive nos tempos em que estamos vivendo agora. Existe uma enorme distância (pode se dizer abismal) entre pensamentos políticos entre amigos e familiares. E, claro, a primeira coisa saudável é partir para a conversa – ou pelo menos tentar. Só que depois de um certo tempo, quando se percebe que ali simplesmente não existe conversa, o melhor a ser feito é aceitar a distância. Assim como na amizade. As pessoas mudam, se perdem, voltam ou não, se reaproximam ou não, se identificam por um final de semana ou por uma vida toda, estão longe ou perto, gostariam de estar mais perto mas não podem ou não conseguem, e tudo bem. Histórias e sentimentos não serão apagados e é melhor e mais doce guardar as coisas boas na memória. Ou não ter medo de dizer de novo: “saudade”.

“Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela (…) Por isso se escreve, se diz, se publica, por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo. (…)
Por isso o lance de um poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.”
Antônio Cícero.

 

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Fernanda Pereira
Fernanda é carioca, redatora e tem um blog em família com a sua mãe e irmã chamado Apezinho (seu maior xodó). Ela é sagitariana e vive com o pé na porta, sempre sonhando com o seu próximo destino. Nas horas vagas ela gosta de fotografar, descobrir música boa, alternar entre o café e a cerveja e estar entre seus amigos.