A despedida nem sempre é uma coisa dolorosa. Às vezes a gente chama de despedida justamente por não saber mais quando vamos ver aquela pessoa ou simplesmente por saber que é o final de alguma coisa. E hoje eu me senti assim. Me senti como se, pela primeira vez, eu me desamarrasse de você. Eu sempre fico amarrada por um fio invisível que eu não sei bem o que é. Mas hoje eu senti que eu estava livre. E ao mesmo tempo que eu fiquei feliz, eu fiquei triste porque eu sabia que aquele era o fim. Pelo menos o fim de alguma fase. Eu sempre quis viver uma história de amor com você, mas percebi que a nossa história era essa. Nem sempre as coisas precisam seguir uma ordem exata ou um fluxo. O tempo embaralha tudo e a gente faz a ordem de acordo com o que a gente sente. E por mais louco que seja, ao mesmo tempo em que me sinto livre e totalmente separada de você, eu me sinto mais próxima. Porque a gente nunca se encontrou de uma forma tão tão leve e íntima quanto ontem. Eu achava que gostava de você pelo mistério, mas descobri que não. Eu gostava da sua claridade e sua transparência que é difícil de enxergar. Eu gostava das suas frases sem sentido e da sua paixão pelo falta de sentido da vida.

Mas eu entendi que as coisas duram o tempo que elas têm que durar, por mais que a gente não aceite muito esse tempo. Talvez, se eu tivesse tentado prolongar nossa história, o sentimento bom que você deixou em mim não existisse. Acabou assim para que nós dois soubéssemos o quanto combinamos, mas que a paixão não chegou a tempo. E acho que essa saudade vai fazer mais por nós do que esse amor no escuro. O nosso amor durou um milésimo de segundo, que foi um piscar de olhos. Você se perdeu quando olhou pra mim e se apaixonou naquele minuto, mas eu sempre soube que eu não seria a pessoa que iria te prender, porque você é igual a mim. Porque você olha em volta e se apaixona por tudo ao mesmo tempo. E você sabe tirar histórias de onde não tem nada, que nem eu faço. Por isso eu quis me apaixonar e me jogar com você, pra ver o que a gente poderia criar junto. Mas eu nunca te prenderia porque eu não sei prender ninguém. Só sei fazer as pessoas andarem junto comigo e elas ficam até o momento que querem ficar. Pra mim amor exigido não é amor. O amor bom é o amor fácil. E ele não chegou pra gente, apesar de saber o quanto você queria, mas morria de medo de eu sentir esse amor por você. Por mais que eu soubesse que você gostaria de acordar mais trinta domingos olhando pro meu cabelo bagunçado.

Essa história se construiu aos poucos em um ano e só agora eu escrevi um texto pra você. Agora eu vejo que você já tinha me entendido há muito tempo. Agora eu percebi que fazia muito sentido eu ter escrito alguma sobre você, mas eu esperei até esse momento para poder entender tudo que a gente foi. Fomos duas pessoas apaixonadas pelo mundo, que têm a mesma sintonia, mas que juntas não somam tanto um pro outro o quanto somam separadas.

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Marcela Picanço
Criadora e editora do De Repente dá Certo! Este blog é um mapa de onde minha imaginação foi. Agora, o caminho é de vocês. Sejam bem-vindos! Pra saber mais é só clicar ali em cima no: "Quem escreve essas coisas?"