Às vezes a vida atravessa montanhas pra fazer com que duas pessoas cruzem o mesmo caminho. Seja ele tortuoso ou não. Mas se encontram, pra somar, seja pela dor, seja pelo amor, seja só por ser. Seja você. E foi. Ou talvez ainda seja. E é. E quando chocou com o meu caminho, eu quis parar no sinal vermelho. Quis correr para a direção oposta, porque entre dois mundos, o nosso não quer deixar de girar. Aconteceu que eu girei, em torno do seu. Mas não o aqueci, como
a primeira vez. Entre esses dois mundos, o meu escolheu repousar no seu. Um mundo só: o nosso.

Aquele mundo habitável por todos que nos cercam, mas que nos olham como um, cheio de água corrente. Em que os nossos países falam a mesma língua e tem o mesmo cheiro de orvalho no ar. O nosso. Às vezes foi tudo um grande engano ou talvez eu ainda acredite em conto de fadas. Só pra você saber, estar com alguém e acreditar que não vai acabar é o que o meu mundo não chama
de amor, mas de certeza. Os 365 dias que passam e recomeçam, sempre. O meu coração tentou ser tudo o que ainda restou de nós. E entre amar de novo e nunca ter esquecido, eu fiquei com a segunda opção.

É assim, ás vezes entre dois mundos, um ama demais. E tá tudo bem. O
importante é continuar girando… vai que a minha esquina ainda encoste na tua. Ou em outro bairro. E fechar os olhos pra deixar vir o sorriso de tudo o que foi e sentir saudade do que ainda não é. E me perder um pouco mais…. É assim. Eu ainda estou. Desculpa, então. Desculpa por não ser o amor da sua vida.

Vai, que vontade de partir é ausência de
ardência aqui. Vai, que entre esses dois mundos,
só o meu Sol há de girar…
em torno do seu.
Vai lá, que onde quer que esteja teu afago,
não é aqui que repousas. Nem será.
O que é teu, é tão só, e já não adormece mais com a minha paz. Nem como meu amor.
Vai, pra não olhar pra trás, que o que fica já foi,
e não será,
nem cá, nem lá,
a tua morada.
Vai que a tua morada é lilás, e floresce na esperança de ser tudo.
É a cor que não brota mais cá e fico como sobra que
colore o resto do teu jardim.
Vai, pra regar teu novo. Sem esperar carona,
e acreditar que o que parece ser jovem, logo repousará o regaço
em outro lar.
Com bússola,
pra guardar o tempo, que
Vai…
E não volta mais.

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Juliana Tavares
Juliana Tavares é a atriz pisciana que quer guardar o mundo dentro de si. Formada em Comunicação Organizacional e amante de viagens. A carne é de carnaval.