Entre um relacionamento e outro, sempre tem aquela fase de pensar e repensar nos momentos vividos e nas escolhas e decisões tomadas. Com o término de uma relação, acreditamos que o outro tem alguns hábitos intoleráveis e com isso não é possível viver com aqueles vícios dentro da sua própria casa. Mas, quando apontamos um dedo para frente, temos outros três dedos apontados para trás diretamente para nós mesmos. Estes três dedos revelam na verdade algumas coisas que não queremos enxergar, entre eles está o dedo da auto-responsabilidade em que nós nos colocamos naquela situação. Mas a intenção agora não é refletir sobre as ações que motivaram o término, as brigas ou conflitos. Não cabe aqui, neste momento gostaria de falar sobre as coisas boas das relações passadas que acabamos esquecendo com o tempo.

Através do tempo e do distanciamento começamos lentamente a enxergar que durante aqueles momentos, na verdade, foi quando dividimos nossos segredos íntimos, nossa essência e nossas sombras também. Por vezes nos entregamos de tal forma, que nem mesmo sua família e seus amigos mais próximos sabem das coisas que você dividiu com aquele parceiro. Sem falar das viagens e experiências que vão ficar guardadas no coração, sem dúvidas. Quando aceitamos que já está tudo para trás, começamos lentamente a perdoar o outro, as brigas e os ressentimentos passados. Olhamos para este ser que uma vez entrou no seu mundo, que dividiu sua cama e sua escova de dente, lentamente começar a lembrar um velho conhecido onde a distância vai trazendo aquele vento do inverno que esfria todos aqueles sonhos maravilhosos que vocês um dia partilharam de conchinha.

Digo isso porque algo incrustrado no senso coletivo permite que tenhamos que ser assim, gélidos e apáticos com o outro mesmo depois que o relacionamento já acabou. O ego vai lá e entra na competição para ver quem está melhor do que quem e a fantasia toma conta da cabeça. Não compreendo porque o sofrimento tem que fazer parte desse processo, talvez seja pela força que você tem fazer para não falar com aquela pessoa, caso contrário ela vai achar que você está envolvida ou que quer algo de novo. Mesmo querendo, por que não é possível conversar naturalmente com o seu ex? Se ele fez parte de algum momento importante da sua vida, nada mais natural do que continuar a conversar e compartilhar um pouquinho dos outros capítulos em que ele não participa mais e vice-versa. Mas é claro, tudo isso só é possível através da consciência de estarmos abertos para sermos transparentes e carinhosos para poder curar nossos ressentimentos com franqueza e permitir que o outro seja feliz. Afinal no tempo em que estavam juntos, de alguma forma fazia sentido aquela pessoa presenciar o seu dia-a-dia e celebrar com você a vida.

Se você começa a fazer um exercício e começa a dizer para si mesma, “eu amo sinceramente todos os meus (ex)companheiros, (ex)namorados, (ex)maridos” ou “agradeço a todos aqueles que comigo dividiram momentos pois me trouxeram contentamento, felicidade e ensinamentos preciosos naquele momento”. Parece bobo, mas para mim ressoa como uma libertação de padrões e crenças sociais em que você tem que se manter distante e não pode amar e desejar coisas boas para a pessoa, mesmo que já não cabem mais como um casal. Num total de três relacionamentos que considero mais intensos na minha vida, hoje consigo olhar para trás e desejar o bem, a felicidade e o amor à todos eles. Quando meu ego não está no comando, eu me liberto e liberto eles também. Lembro de alguns momentos maravilhosos, relembro a sensação e consigo agradecer imensamente pela oportunidade.

Quais relacionamentos você ainda guarda um ressentimento (zinho) e quais você já se considera curada? E por que você ainda não se libertou desse sentimento? Por que não podemos ver o outro feliz, mesmo que não estejamos ainda prontas para um novo relacionamento? Eu sei que você sabe a resposta.

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Ju Vasconcelos
Amante da natureza, arquiteta e terapeuta holística. Tem uma alma que viaja nas escalas do universo, sempre mergulhada no mar das emoções e enraizada no caminho do autoconhecimento.