Achei incrível quando ri de mim mesma ao tropeçar na rua, foi tão… familiar. Isso me fez lembrar de como era rir de mim, e como eu me achava linda assim, desse jeito desastrado. Lembrei de como eu gostava de quando meu cabelo estava meio-preso-meio-solto e da minha mania de olhar pra baixo e colocar o lado solto atrás da orelha quando fico com vergonha. Falei também com um amor do passado, incrivelmente não chorei. Pelo contrário, fiquei muito feliz em recordar minha paixão por ele, por todos os outros e todas as outras coisas que gosto. Tive vontade de sair abraçando esses amores passados, porque sem dúvidas, muito do que amei neles era como eu era quando estava com eles. Percebi que gostei deles, mas que sempre gostei mais de mim. Vi que era muito bonita gostando de cada um, porque é lindo esse meu jeito de entrega total, sempre pronta pra me jogar, sem redes, sem planos, sem mãos. Achei demais lembrar disso, com isso vi a sorte que você teve por me ter um pouco. Também senti um pouco de pena de você, que não se permite sentir nada profundamente. Desejei que algum dia você pudesse se descabelar por qualquer coisa. Ao desejar isso, me amei muito. Me amei mais do que você um dia seria capaz de me amar. Você ou qualquer outro, nunca poderiam entender o que eu faço por completo, assim, nunca poderiam ver talvez meu gesto mais nobre e me amar demais por isso, só eu… Por isso senti tanto amor e quis me abraçar forte.”

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Natália Moreira
Sou uma alienígena disfarçada de gente, tentando voar com os pés no chão, viver em queda livre e explicar o que (não) entendo com perguntas. A contradição é p(arte) minha e mesmo sabendo que “pra viver mais, eu sei que eu devia viver menos”, quero demais até o fim – ou o começo.